30.4.11

1o. de Mayo - Plaza dela revolución

 
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Caramez, Eu, Cari, Marcello, Zeze Caramez

 
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Caramez, Eu, Cari, Marcello, Zeze Caramez

 
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27.4.11

E, não são as águas de março fechando o verão



2011
O Rio de Janeiro continua lindo, acariciado pelo mar que bordeja suas costas, coroado majestosamente por suas montanhas, com sua gente simpática, sorridente, quase feliz, conseqüência seguro deste encontro das águas, do vento que toca seu corpo, do verde que ilumina desde afora até o recanto mais oculto do seu ser.
Quarenta e cinco anos depois da tragédia das águas de 1966, um tremendo aguaceiro numa tarde de fim de abril e não março como cantou Tom Jobim, inunda a cidade trazendo o caos.
Nem acabamos de sair da tragédia das cidades serranas, pedras, deslizamentos nas comunidades construídas em áreas de risco, arrebatam nosso sono, levando-nos ao limite do stress.
A velha pergunta paira no ar. A quem cobrar responsabilidades? Ao atual prefeito com certeza não será. Simples, fácil a resposta. Governando há apenas dois anos a cidade de São Sebastião, instalou -
“O Centro de Operações vai nos permitir que tenham pessoas olhando 24 horas pela cidade a partir do dia 31. Mas existe um tempo de aprendizado, e esse lugar não vai evitar que tragédias aconteçam. Vai ajudar na hora da tomada de decisões”, explicou Eduardo Paes."Rio não será cidade uma perfeita",- afirmou,
mas devemos reconhecer seu esforço para solucionar este problema crucial de uma cidade que começou a ser modernizada no século XIX, só precedida por Londres, e cuja manutenção tem sido durante todos este tempo sem prioridade para os governantes anteriores.
Assim é com os serviços de gás, água, luz, e esgoto explodindo pela cidade para nos lembrar que também fios, canos, ralos tem prazo de validade.
Temos uma saída perfeita. A organização da sociedade civil para cobrar responsabilidade aos governos passados, educação da população como prioridade, amor a cidade que nos viu crescer, no embriaga com seu verde, nos energiza, e de quebra nos dá o prazer de ser amada e desejada por brasileiros e estrangeiros de qualquer parte do planeta.
Só cabe a nós participar desta tarefa, consentindo que o Rio de Janeiro continue sendo cantada em prosa e verso como a Cidade
Maravilhosa.

E, não são as águas de março fechando o verão



2011
O Rio de Janeiro continua lindo, acariciado pelo mar que bordeja suas costas, coroado majestosamente por suas montanhas, com sua gente simpática, sorridente, quase feliz, conseqüência seguro deste encontro das águas, do vento que toca seu corpo, do verde que ilumina desde afora até o recanto mais oculto do seu ser.
Quarenta e cinco anos depois da tragédia das águas de 1966, um tremendo aguaceiro numa tarde de fim de abril e não março como cantou Tom Jobim, inunda a cidade trazendo o caos.
Nem acabamos de sair da tragédia das cidades serranas, pedras, deslizamentos nas comunidades construídas em áreas de risco, arrebatam nosso sono, levando-nos ao limite do stress.
A velha pergunta paira no ar. A quem cobrar responsabilidades? Ao atual prefeito com certeza não será. Simples, fácil a resposta. Governando há apenas dois anos a cidade de São Sebastião, instalou -
“O Centro de Operações vai nos permitir que tenham pessoas olhando 24 horas pela cidade a partir do dia 31. Mas existe um tempo de aprendizado, e esse lugar não vai evitar que tragédias aconteçam. Vai ajudar na hora da tomada de decisões”, explicou Eduardo Paes."Rio não será cidade uma perfeita",- afirmou,
mas devemos reconhecer seu esforço para solucionar este problema crucial de uma cidade que começou a ser modernizada no século XIX, só precedida por Londres, e cuja manutenção tem sido durante todos este tempo sem prioridade para os governantes anteriores.
Assim é com os serviços de gás, água, luz, e esgoto explodindo pela cidade para nos lembrar que também fios, canos, ralos tem prazo de validade.
Temos uma saída perfeita. A organização da sociedade civil para cobrar responsabilidade aos governos passados, educação da população como prioridade, amor a cidade que nos viu crescer, no embriaga com seu verde, nos energiza, e de quebra nos dá o prazer de ser amada e desejada por brasileiros e estrangeiros de qualquer parte do planeta.
Só cabe a nós participar desta tarefa, consentindo que o Rio de Janeiro continue sendo cantada em prosa e verso como a Cidade
Maravilhosa.

Todo tirano constrói sua piramide, todo prefeito tem seu temporal

1966 -
Laranjeiras, bairro bucólico onde o bondinho fazia a volta lá no largo do Cosme Velho. Tranqüilo, cantado em verso e prosa pelo escritor maior Machado de Assis era o sonho de todo carioca. O fascínio do bairro nobre onde o cheiro discreto do mar se misturava ao olor do verde ,abençoado pelo Cristo encravado aos seus pés. Laranjeiras incitava ao pensamento, quiçá daí ter tido tantos revolucionários na história recente do Brasil.
A ditadura seguia seu rumo destruindo famílias, infiltrando-se nas faculdades, mapeando nossas vidas. Nós buscávamos saídas. Aliar o estudo era um deles. Estudávamos para o vestibular da UERJ – Íamos fazer Direito. Tudo na ponta da língua. Terminara a faculdade de Letras, mas o sonho maior era conhecer as leis para fazer justiça.
Fausto, fora buscar-me. Entramos na Rua das Laranjeiras pela Pinheiro Machado vindos da Moura Brasil pertinho do Fluminense. De repente, o aguaceiro numa onda gigantesca carregava tudo.O imaginável. Colchões, lixo, pedaços de madeira, latas numa onda barrenta arrastando a vida. Só impossível transpor o caos. Subi em seus ombros para fazer peso, livrar de um fusca a mercê da correnteza forçando a passagem. Entre gritos de socorro e solidariedade todos os que se abrigavam no bar da esquina fizeram uma corrente humana e nos sacaram das águas. Na escuridão da noite, recompúnhamos da tragédia quando noticias começaram chegar de todas as vozes. A Rocinha e o Vidigal estão desmoronando. É preciso ajuda. Urge socorrer esta gente. Não sei se duas ou três horas depois montados em caminhões de lixo subíamos a encosta para socorrer os favelados. Passados 45 anos ainda posso ouvir os gritos de homens, crianças e mulheres despencados morro abaixo.
Quarenta e cinco anos, depois da tragédia das águas de 1966, o Brasil vê atônito a cada temporada de chuvas a tragédia anunciada.Milhares de pessoas perderam suas vidas ou abrindo ou fechando o verão. Cidades serranas, comunidades derretem com o poder avassalador das águas, qual filme de terror.
A quem cobrar, neste momento as mortes de mais de 400 pessoas já publicadas, a recuperação emocional pelas noites e dias passados em improvisados abrigos, as perdas de bens tão dificilmente adquiridos: as águas fonte de vida, indispensável a sobrevivência ou aos governantes inescrupulosos que acumulam riquezas sob os cadáveres e as angústias de um povo anestesiado pelos sucessivas catástrofes que ano trás anos invadem suas sofridas vidas?
Que fizemos todo este tempo, senão olhar em tempo real uma repetida tragédia?
Hoje, temos maturidade suficiente para nos organizar e decidir nosso destino. Cobrar cada pedacinho perdido dos nossos sonhos, cada trecho desviado de nosso destino. Socorrer agora é nosso dever. Amanhã, organizar a sociedade civil, única saída para cobrar responsabilidade e reorganizar o Brasil. Caso contrario, continuaremos chorando nossos mortos. Porque a Justiça faz muito fechou os olhos e anda adormecida em algum banco de praça da sua cidade.

Todo tirano constrói sua piramide, todo prefeito tem seu temporal

1966 -
Laranjeiras, bairro bucólico onde o bondinho fazia a volta lá no largo do Cosme Velho. Tranqüilo, cantado em verso e prosa pelo escritor maior Machado de Assis era o sonho de todo carioca. O fascínio do bairro nobre onde o cheiro discreto do mar se misturava ao olor do verde ,abençoado pelo Cristo encravado aos seus pés. Laranjeiras incitava ao pensamento, quiçá daí ter tido tantos revolucionários na história recente do Brasil.
A ditadura seguia seu rumo destruindo famílias, infiltrando-se nas faculdades, mapeando nossas vidas. Nós buscávamos saídas. Aliar o estudo era um deles. Estudávamos para o vestibular da UERJ – Íamos fazer Direito. Tudo na ponta da língua. Terminara a faculdade de Letras, mas o sonho maior era conhecer as leis para fazer justiça.
Fausto, fora buscar-me. Entramos na Rua das Laranjeiras pela Pinheiro Machado vindos da Moura Brasil pertinho do Fluminense. De repente, o aguaceiro numa onda gigantesca carregava tudo.O imaginável. Colchões, lixo, pedaços de madeira, latas numa onda barrenta arrastando a vida. Só impossível transpor o caos. Subi em seus ombros para fazer peso, livrar de um fusca a mercê da correnteza forçando a passagem. Entre gritos de socorro e solidariedade todos os que se abrigavam no bar da esquina fizeram uma corrente humana e nos sacaram das águas. Na escuridão da noite, recompúnhamos da tragédia quando noticias começaram chegar de todas as vozes. A Rocinha e o Vidigal estão desmoronando. É preciso ajuda. Urge socorrer esta gente. Não sei se duas ou três horas depois montados em caminhões de lixo subíamos a encosta para socorrer os favelados. Passados 45 anos ainda posso ouvir os gritos de homens, crianças e mulheres despencados morro abaixo.
Quarenta e cinco anos, depois da tragédia das águas de 1966, o Brasil vê atônito a cada temporada de chuvas a tragédia anunciada.Milhares de pessoas perderam suas vidas ou abrindo ou fechando o verão. Cidades serranas, comunidades derretem com o poder avassalador das águas, qual filme de terror.
A quem cobrar, neste momento as mortes de mais de 400 pessoas já publicadas, a recuperação emocional pelas noites e dias passados em improvisados abrigos, as perdas de bens tão dificilmente adquiridos: as águas fonte de vida, indispensável a sobrevivência ou aos governantes inescrupulosos que acumulam riquezas sob os cadáveres e as angústias de um povo anestesiado pelos sucessivas catástrofes que ano trás anos invadem suas sofridas vidas?
Que fizemos todo este tempo, senão olhar em tempo real uma repetida tragédia?
Hoje, temos maturidade suficiente para nos organizar e decidir nosso destino. Cobrar cada pedacinho perdido dos nossos sonhos, cada trecho desviado de nosso destino. Socorrer agora é nosso dever. Amanhã, organizar a sociedade civil, única saída para cobrar responsabilidade e reorganizar o Brasil. Caso contrario, continuaremos chorando nossos mortos. Porque a Justiça faz muito fechou os olhos e anda adormecida em algum banco de praça da sua cidade.

26.4.11

A vida é bela



Depois de tantos feriados, de quarta a domingo encarar uma segunda – feira só se o inesperado aprontasse uma surpresa.
Comecei por ir ao dermatologista que eu creia ser o mesmo de muitos anos atrás, pois a minha querida Bruna anda desaparecida desde que foi trabalhar na Clinica do Eike Batista. O dermatologista não valeu. Deixei um recado no celular dela.
Um mal estar começava a incomodar minha garganta , uma leve dor de cabeça e de pronto febre. Caramba, não posso. Tenho que ir a São Paulo gravar meu depoimento para a novela Amor e revolução a convite de Tiago Santiago. Ä noite jantaria com um dos maiores poetas deste Pais Thiago de Mello. No dia seguinte, como sempre faço iria ver meus dois Zés - o amor eternizado José Ibrahim, o outro Zé – companheiro de longas datas por quem nutro uma profunda admiração e carinho – o Dirceu, e se a vida permitir rever alguns velhos amigos.
Tudo errado. A virose – designação utilizada para resfriados, gripes, dengues, infecções intestinais e algumas vezes mal de amores tomou conta do pedaço.
A tristeza bateu forte. Avisar e desapontar a produção tão feliz com resultado de Amor e revolução e dos depoimentos foi decepcionante.
De repente, um email da Embaixada Cubana rompe a tarde numa onda de felicidade. Uma carta de Fidel Castro para mim e outra para o companheiro de sonhos Oscar Niemeyer.
Outro email entra na caixa de entrada – uma receita de como curar um resfriado de meu amado poeta, que vou compartir com vocês. Só não fica curado aqueles que tem no lugar do coração um grande vazio.
..“Fica logo boa, Querida Marilia, com o remédio que minha mãe Dona Maria
me ensinou?
Descasca um limão dos graúdos, como se faz com laranja, deita as cascas a ferver
numa caçarola. Enquanto ferve espreme bem o limão numa chávena, tira os caroços do suco.
Deita depois um dente de alho, esmaga muito bem dentro do suco, acrescenta um
pedaço pequenino de mangataia (gengibre), amassa misturado com o alho. Enche bem a taça com a água fervida (sem as cascas). Deita uma colher de mel de abelha, espera esfriar um pouco, toma aos goles vagarosos,lembra de mim e deita para dormir.
Se estiveres rouca, deixa para me chamar na quarta-feira.
Te quiero, compañera de esperanza.
Thiago"

Para completar Eduardo abre um livro e dentro tira guardando com todo carinho uma partitura manuscrita numa folha pautada do grande Paulo Moura, um funk lindo composto e dedicado a mim, em 1982.
A ronquidão persiste, mas outras mazelas tomaram caminhos opostos ao meu.
Entre tantos amores, vividos e por viver não tem virose que resista.
Perdi a gravação. São Jorge deixou passar seu dia, e mandou um tremendo aguaceiro para purificar o Rio de Janeiro e provar que estamos quase chegando lá em organização, apesar das intempéries. Por estas ou por outras tantas é que vale a coerência na vida.

A vida é bela



Depois de tantos feriados, de quarta a domingo encarar uma segunda – feira só se o inesperado aprontasse uma surpresa.
Comecei por ir ao dermatologista que eu creia ser o mesmo de muitos anos atrás, pois a minha querida Bruna anda desaparecida desde que foi trabalhar na Clinica do Eike Batista. O dermatologista não valeu. Deixei um recado no celular dela.
Um mal estar começava a incomodar minha garganta , uma leve dor de cabeça e de pronto febre. Caramba, não posso. Tenho que ir a São Paulo gravar meu depoimento para a novela Amor e revolução a convite de Tiago Santiago. Ä noite jantaria com um dos maiores poetas deste Pais Thiago de Mello. No dia seguinte, como sempre faço iria ver meus dois Zés - o amor eternizado José Ibrahim, o outro Zé – companheiro de longas datas por quem nutro uma profunda admiração e carinho – o Dirceu, e se a vida permitir rever alguns velhos amigos.
Tudo errado. A virose – designação utilizada para resfriados, gripes, dengues, infecções intestinais e algumas vezes mal de amores tomou conta do pedaço.
A tristeza bateu forte. Avisar e desapontar a produção tão feliz com resultado de Amor e revolução e dos depoimentos foi decepcionante.
De repente, um email da Embaixada Cubana rompe a tarde numa onda de felicidade. Uma carta de Fidel Castro para mim e outra para o companheiro de sonhos Oscar Niemeyer.
Outro email entra na caixa de entrada – uma receita de como curar um resfriado de meu amado poeta, que vou compartir com vocês. Só não fica curado aqueles que tem no lugar do coração um grande vazio.
..“Fica logo boa, Querida Marilia, com o remédio que minha mãe Dona Maria
me ensinou?
Descasca um limão dos graúdos, como se faz com laranja, deita as cascas a ferver
numa caçarola. Enquanto ferve espreme bem o limão numa chávena, tira os caroços do suco.
Deita depois um dente de alho, esmaga muito bem dentro do suco, acrescenta um
pedaço pequenino de mangataia (gengibre), amassa misturado com o alho. Enche bem a taça com a água fervida (sem as cascas). Deita uma colher de mel de abelha, espera esfriar um pouco, toma aos goles vagarosos,lembra de mim e deita para dormir.
Se estiveres rouca, deixa para me chamar na quarta-feira.
Te quiero, compañera de esperanza.
Thiago"

Para completar Eduardo abre um livro e dentro tira guardando com todo carinho uma partitura manuscrita numa folha pautada do grande Paulo Moura, um funk lindo composto e dedicado a mim, em 1982.
A ronquidão persiste, mas outras mazelas tomaram caminhos opostos ao meu.
Entre tantos amores, vividos e por viver não tem virose que resista.
Perdi a gravação. São Jorge deixou passar seu dia, e mandou um tremendo aguaceiro para purificar o Rio de Janeiro e provar que estamos quase chegando lá em organização, apesar das intempéries. Por estas ou por outras tantas é que vale a coerência na vida.