20.1.11

Stella, e a Lua Cheia 20/01/2011

Stella, e a Lua Cheia

Acordei cedo, sai as pressas para a Barra, mas eis que a lua cheia clareou a noite – curioso este fenômeno - e Letícia já havia saído cedo para a Maternidade. Foi chegar, e meia volta volver. Stella, apressada para ver o amanhecer da cidade onde ela vai viver poderia chegar antes que entrássemos no quarto para dar aquele beijinho , na filha do coração, na companheira solidaria, na amiga doce e terna. Nem isso. Já na sala de pré parto sem beijoca, sem “Tudo Bem” , calma , estamos aqui. Essas frases corriqueiras, mas que fazem um bem danado ao coração da gente sempre apertadinho nestes momentos, empurrando diafragma , pulmão ofegante,se escondendo detrás de uma leve taquicardia,mãos úmidas, tudo por causa da espera.
Lá se vão minutos, em horas numa longevidade transformados em eternidade. Valery - a mãe, avo , companheira sempre – inquieta esconde num vai e vem, entre chamadas telefônicas e alguns comentários a inquietação que lhe aflige o coração. Mãe é mãe não importa a latitude.
Toca o telefone. Pode trazer a roupa que Stella em poucos instantes vai nascer. Nem respiramos, saímos corredor afora, Valery carregando qual joia preciosa as bolsinhas com as roupinhas brancas, lindas – primeiras a serem usadas em seu primeiro dia de estada no planeta terra.
Caras amassadas ao vidro que nos separa dos berços enfileirados , entra a pequenina, como uma flor desabrochando, pele rosada, mãos enormes, dedos longos, carinha fofa, vasta cabeleira ,que dentro de alguns dias deixaram de fora uma carequinha linda, para dar lugar quem sabe a , cabelos encaracolados, ou liso. Afirmação fantástica da criação.
Stella é preciosa. No parece a ninguém. É igualzinha a ela mesma. Provavelmente dentro de uns dias vai mostrar sua maior semelhança se a guapa Letícia Spiller, atriz de mil facetas, linda como ela só, ou a Lucas o papai – páreo duro no terreno dos corujões.
Não importa, seja como for, do jeito que for, nos dará imensas alegrias. Brincaremos de pique esconde, vestiremos bonecas, iremos acompanhá-la nas primeiras aulas, aproveitaremos o tempo livre para falar da historia do homem, do amor as flores, da preservação da natureza, de Nietzsche, de índios, de livros numa mistura de amor entrelaçada de muito carinho.
Nesta hora, que escrevo possivelmente minha doce Letícia carrega Stella nos braços sob o carinhoso olhar do feliz Lucas. Hoje, 20 de janeiro de 2011, dia de Zumbi e São Jorge aquele que gente vê empunhando uma espada lá na lua,aterrizou por aqui mais uma estrela.

Stella, e a Lua Cheia 20/01/2011

Stella, e a Lua Cheia

Acordei cedo, sai as pressas para a Barra, mas eis que a lua cheia clareou a noite – curioso este fenômeno - e Letícia já havia saído cedo para a Maternidade. Foi chegar, e meia volta volver. Stella, apressada para ver o amanhecer da cidade onde ela vai viver poderia chegar antes que entrássemos no quarto para dar aquele beijinho , na filha do coração, na companheira solidaria, na amiga doce e terna. Nem isso. Já na sala de pré parto sem beijoca, sem “Tudo Bem” , calma , estamos aqui. Essas frases corriqueiras, mas que fazem um bem danado ao coração da gente sempre apertadinho nestes momentos, empurrando diafragma , pulmão ofegante,se escondendo detrás de uma leve taquicardia,mãos úmidas, tudo por causa da espera.
Lá se vão minutos, em horas numa longevidade transformados em eternidade. Valery - a mãe, avo , companheira sempre – inquieta esconde num vai e vem, entre chamadas telefônicas e alguns comentários a inquietação que lhe aflige o coração. Mãe é mãe não importa a latitude.
Toca o telefone. Pode trazer a roupa que Stella em poucos instantes vai nascer. Nem respiramos, saímos corredor afora, Valery carregando qual joia preciosa as bolsinhas com as roupinhas brancas, lindas – primeiras a serem usadas em seu primeiro dia de estada no planeta terra.
Caras amassadas ao vidro que nos separa dos berços enfileirados , entra a pequenina, como uma flor desabrochando, pele rosada, mãos enormes, dedos longos, carinha fofa, vasta cabeleira ,que dentro de alguns dias deixaram de fora uma carequinha linda, para dar lugar quem sabe a , cabelos encaracolados, ou liso. Afirmação fantástica da criação.
Stella é preciosa. No parece a ninguém. É igualzinha a ela mesma. Provavelmente dentro de uns dias vai mostrar sua maior semelhança se a guapa Letícia Spiller, atriz de mil facetas, linda como ela só, ou a Lucas o papai – páreo duro no terreno dos corujões.
Não importa, seja como for, do jeito que for, nos dará imensas alegrias. Brincaremos de pique esconde, vestiremos bonecas, iremos acompanhá-la nas primeiras aulas, aproveitaremos o tempo livre para falar da historia do homem, do amor as flores, da preservação da natureza, de Nietzsche, de índios, de livros numa mistura de amor entrelaçada de muito carinho.
Nesta hora, que escrevo possivelmente minha doce Letícia carrega Stella nos braços sob o carinhoso olhar do feliz Lucas. Hoje, 20 de janeiro de 2011, dia de Zumbi e São Jorge aquele que gente vê empunhando uma espada lá na lua,aterrizou por aqui mais uma estrela.

18.1.11

14/01/2011 - O Encontro dos 70 no futuro

Foi um ótimo momento de reencontro e me emocionei ao rever alguns(umas) companheir@s que não via desde o Chile ou desde a Conferência da Anistia em 1979 em Roma. Fiquei tocado e com o ego massageado por me escolherem para falar em nome do grupo e espero não tê-l@s decepcionado. Perdi a oratória por falta de prática desde que o movimento estudantil ficou para trás. Como contei na minha falação (mas penso que muitos não ouviram) já tinha ficado surpreso com a minha “popularidade” quando me juntei ao grupo dos setenta no Galeão. Como fui o último trocado a ser levado para o galpão onde esperamos a libertação fui recebido com uma ovação. Na verdade não era pelos meus belos olhos mas porque a partir da minha chegada o grupo ficou completo e a troca podia ser efetivada. A ovação não era para mim mas para o septuagésimo preso que chegava. Nem eu conhecia a grande maioria nem a grande maioria me conhecia, a não ser os que tinham história no movimento estudantil. Aliás, fiquei surpreso por ter sido incluído na lista já que desde a saída do Travassos na lista dos quinze ninguém da Ação Popular foi selecionado. Segundo o Sirkis houve controvérsias em relação ao meu nome no grupo dos seqüestradores e a minha inclusão se deveu a uma decisão do Lamarca. Se de fato as coisas se passaram como o Alfredinho me contou haviam boas razões para não incluir o meu nome pois a AP era contra os seqüestros e as ações armadas na forma em que vinham sendo realizadas. Defendíamos a guerra popular prolongada e não achávamos que as condições políticas e militares para o início da luta armada estavam dadas. Segundo o Alfredinho a inclusão do meu nome não foi por ser presidente da UNE mas por ser meio suíço e isto podia aliviar a imagem da luta armada junto ao público daquele país. Aliás, durante as negociações o famigerado Brigadeiro Burnier que comandava a base aérea do Galeão onde eu estava preso incomunicável me fez o seguinte comentário: “reze para não matarem o embaixador pois se isso acontecer pelo menos você vai morrer. Fica um suíço pelo outro.”

Quanto a repetirmos a dose a cada um ou dois anos acho que faz sentido por um lado pois em cinco anos alguns já terão partido desta para (dizem) melhor. Mas, por outro lado, é difícil o deslocamento de tanta gente a cada um ou dois anos. Abraços a todas e todos. Jean Marc

14/01/2011 - O Encontro dos 70 no futuro

Foi um ótimo momento de reencontro e me emocionei ao rever alguns(umas) companheir@s que não via desde o Chile ou desde a Conferência da Anistia em 1979 em Roma. Fiquei tocado e com o ego massageado por me escolherem para falar em nome do grupo e espero não tê-l@s decepcionado. Perdi a oratória por falta de prática desde que o movimento estudantil ficou para trás. Como contei na minha falação (mas penso que muitos não ouviram) já tinha ficado surpreso com a minha “popularidade” quando me juntei ao grupo dos setenta no Galeão. Como fui o último trocado a ser levado para o galpão onde esperamos a libertação fui recebido com uma ovação. Na verdade não era pelos meus belos olhos mas porque a partir da minha chegada o grupo ficou completo e a troca podia ser efetivada. A ovação não era para mim mas para o septuagésimo preso que chegava. Nem eu conhecia a grande maioria nem a grande maioria me conhecia, a não ser os que tinham história no movimento estudantil. Aliás, fiquei surpreso por ter sido incluído na lista já que desde a saída do Travassos na lista dos quinze ninguém da Ação Popular foi selecionado. Segundo o Sirkis houve controvérsias em relação ao meu nome no grupo dos seqüestradores e a minha inclusão se deveu a uma decisão do Lamarca. Se de fato as coisas se passaram como o Alfredinho me contou haviam boas razões para não incluir o meu nome pois a AP era contra os seqüestros e as ações armadas na forma em que vinham sendo realizadas. Defendíamos a guerra popular prolongada e não achávamos que as condições políticas e militares para o início da luta armada estavam dadas. Segundo o Alfredinho a inclusão do meu nome não foi por ser presidente da UNE mas por ser meio suíço e isto podia aliviar a imagem da luta armada junto ao público daquele país. Aliás, durante as negociações o famigerado Brigadeiro Burnier que comandava a base aérea do Galeão onde eu estava preso incomunicável me fez o seguinte comentário: “reze para não matarem o embaixador pois se isso acontecer pelo menos você vai morrer. Fica um suíço pelo outro.”

Quanto a repetirmos a dose a cada um ou dois anos acho que faz sentido por um lado pois em cinco anos alguns já terão partido desta para (dizem) melhor. Mas, por outro lado, é difícil o deslocamento de tanta gente a cada um ou dois anos. Abraços a todas e todos. Jean Marc

17.1.11

Oscar Niemeyer e marilia Guimaraes

 
Posted by Picasa

Oscar Niemeyer e marilia Guimaraes

 
Posted by Picasa

TODO DIA E DIA DE NIEMEYER

Fiz este poema em homenagem ao Oscar Niemeyer, e espero que chegue a ele na comemoração de seus 103 anos. Abraços,
Mano Melo


NIEMEYER NÃO É DEZ, É CEM

A Arquitetura era apenas razão,

frieza matemática originando formas,

um monte de ferragens criando ferrugem,

montadas em pedra dura.

Oscar Niemeyer desarmou o cimento armado.

Ao concreto frio, ele deu brandura,

emoção,

curvas.

Quando Brasília virou uma ilha

cercada de coturnos

e tiranos soturnos,

quiseram fazer dele a bola da vez,

mas sua importância na história da cultura

seria maior que a ditadura

reles e obscura.

Niemeyer é o Pelé da prancheta.

Fez da prancheta a sua bola de couro,

espalhou sua arte por todo o planeta,

New York, Oxford, Paris, Argel,

Niterói, Portugal, Israel,

Havana, Beagá,

Bagdá,

Teerã,

et cetera,

e o diabo a quatro.

Ganhou honrarias e medalhas de ouro.

Não fosse o humanista,

além do grande artista

que é,

encheria as burras de dinheiro,

como um desses ricaços tolos

com a boca torta de fumar cachimbo.

Era outro seu compromisso.


Em vez disso,

fez escolas

com Darcy e Brizola,

fez sala de aula pra menino aprender,

fez passarela para o povo sambar.

Um Oscar para o Oscar?

Bobagem.

O prêmio não estaria à altura

do personagem.

E além do mais,

filme que ganha Oscar é quase sempre muito,

muito chato.

Um Nobel para Niemeyer?

Ideia falaz.

Essa instituição está desmoralizada,

desde que fez a mancada

de dar ao Kissinger o Prêmio Nobel da Paz!

Oscar Niemeyer para a Academia?

Sem essa!

Que ironia!

Ele não precisa dessa

para ser Imortal.

Já é. Na real!

Parabéns, Arquiteto,

ao completar seus 103,

sempre íntegro, lúcido, trabalhador.

MANO MELO

TODO DIA E DIA DE NIEMEYER

Fiz este poema em homenagem ao Oscar Niemeyer, e espero que chegue a ele na comemoração de seus 103 anos. Abraços,
Mano Melo


NIEMEYER NÃO É DEZ, É CEM

A Arquitetura era apenas razão,

frieza matemática originando formas,

um monte de ferragens criando ferrugem,

montadas em pedra dura.

Oscar Niemeyer desarmou o cimento armado.

Ao concreto frio, ele deu brandura,

emoção,

curvas.

Quando Brasília virou uma ilha

cercada de coturnos

e tiranos soturnos,

quiseram fazer dele a bola da vez,

mas sua importância na história da cultura

seria maior que a ditadura

reles e obscura.

Niemeyer é o Pelé da prancheta.

Fez da prancheta a sua bola de couro,

espalhou sua arte por todo o planeta,

New York, Oxford, Paris, Argel,

Niterói, Portugal, Israel,

Havana, Beagá,

Bagdá,

Teerã,

et cetera,

e o diabo a quatro.

Ganhou honrarias e medalhas de ouro.

Não fosse o humanista,

além do grande artista

que é,

encheria as burras de dinheiro,

como um desses ricaços tolos

com a boca torta de fumar cachimbo.

Era outro seu compromisso.


Em vez disso,

fez escolas

com Darcy e Brizola,

fez sala de aula pra menino aprender,

fez passarela para o povo sambar.

Um Oscar para o Oscar?

Bobagem.

O prêmio não estaria à altura

do personagem.

E além do mais,

filme que ganha Oscar é quase sempre muito,

muito chato.

Um Nobel para Niemeyer?

Ideia falaz.

Essa instituição está desmoralizada,

desde que fez a mancada

de dar ao Kissinger o Prêmio Nobel da Paz!

Oscar Niemeyer para a Academia?

Sem essa!

Que ironia!

Ele não precisa dessa

para ser Imortal.

Já é. Na real!

Parabéns, Arquiteto,

ao completar seus 103,

sempre íntegro, lúcido, trabalhador.

MANO MELO

16.1.11

Mariela + su bebe

 
Posted by Picasa

O Brasil anoiteceu salpicado de estrelas e acordou nas trevas para a viver os terríveis “anos de chumbo”, e como conseqüência o rompimento de relações com muitos países que lutavam pela sua soberania. Cuba, 1º. Território livre da América era cortado das páginas da historia do Brasil e com ele o mais jovem diplomata da época Raul Roa Kouri. Vinte poucos anos de juventude, inteligência, paixão, esbanjando alegria e competência deixava nosso pais. De Jorge Amando a Vinicius de Moraes, de poeta a seresteiros, de intelectuais a políticos a revolta com a saída de Raulito fazia-se sentir. Raul Roa representava a liberdade, aqueles jovens barbudos que resistindo o poderio dos Estados Unidos libertou Cuba do verdugo Fulgêncio Batista.
Alguns anos, passaram daquela triste noite quando Antonio Lopes e eu levamos as escondidas Ministros,companheiros do PCB as embaixadas para seguirem rumo ao exílio.
Outros tantos a um 04 de janeiro de 1970, quando chegamos num Caravelle em pane, a ilha de Fidel, inicio de um exílio que durou dez anos.
Como Deus escreve certo por linhas tortas – provérbio de autor desconhecido– entre saudade, tristeza, saudade, tristeza demais dei de cara com Raulito numa daquelas noites em que Brasil e Cuba miscigenavam –se em notas musicais atenuando a minha nostalgia.
Entre encontro e desencontros, Maria de los Angeles a linda cubana, irmã de Silvio Rodriguez casa com Raul e parte num missão diplomática para a ONU.
Anistia Geral e irrestrita,volta ao Brasil, adaptação, novo cotidiano, muitos encontros intercalados de uma enorme saudade. Que fazer ir a Cuba? Trazer os amigos para o cheirinho da terra. Mais bem o ideal – as duas coisas -. Rosy e Augusto, Vicente Feliu, Sara Gonzalez, Nicola, Pablito – o Milanez num vaivém de passeos pelo Malecon a noitadas regadas a trova ora no Recreio dos Bandeirantes depois por muito tempo no It anhanga. A cada viagem Rosy insistia na nina preciosa que amava loucamente o Brasil. Era um vaivém de dicionários, revistas, livros didáticos, romances, músicas + musicas. Decidi pelo melhor porque não trazer a chica tão enamorada pelo meu Pais.
- Difícil – argumentou Rose. Su madre no deja que ella viaje sola. És una adolescente ingênua, chica todavia.
Vamos convencer su mama. Fale com ela. Eu cuido. Juro que cuido. Que tal?
Impossível.
Sabes que? Voy traer las dos. Así ningún problema. Mando la invitación e ya.
Ojala- la antológica canción- invadía el jardín, el corazón, los sueños, los amores, todos cantaban a la misma voz cuando sonó el teléfono.
Quien? Dígame.
Miriam es Silvio.
Ola compañero! Que alegría!
No oigo bien están cantando – dije.
Ya veo. María llega mañana con Mariela mi sobrina. Cuídala como se fuera tu hija.
Mariela es la hija de María de los Ángeles e Raulito. Ama Brasil quase como eu. É minha filha cubana. Cresceu, se apaixonou por Patrício um tremendo trovador chileno e hoje trás para baixo e para cima seu bebe protegido numa placenta musical crescendo feliz ao som de Dajvan, Chico, Tom. Toquinho e Vinicius.
Se alguém achar que qualquer semelhança é mera coincidência não tem razão. Vaya casualidad – diria Nelson Dominguez . Somos uma linda e feliz família cubana/brasileira.

Mariela + su bebe

 
Posted by Picasa

O Brasil anoiteceu salpicado de estrelas e acordou nas trevas para a viver os terríveis “anos de chumbo”, e como conseqüência o rompimento de relações com muitos países que lutavam pela sua soberania. Cuba, 1º. Território livre da América era cortado das páginas da historia do Brasil e com ele o mais jovem diplomata da época Raul Roa Kouri. Vinte poucos anos de juventude, inteligência, paixão, esbanjando alegria e competência deixava nosso pais. De Jorge Amando a Vinicius de Moraes, de poeta a seresteiros, de intelectuais a políticos a revolta com a saída de Raulito fazia-se sentir. Raul Roa representava a liberdade, aqueles jovens barbudos que resistindo o poderio dos Estados Unidos libertou Cuba do verdugo Fulgêncio Batista.
Alguns anos, passaram daquela triste noite quando Antonio Lopes e eu levamos as escondidas Ministros,companheiros do PCB as embaixadas para seguirem rumo ao exílio.
Outros tantos a um 04 de janeiro de 1970, quando chegamos num Caravelle em pane, a ilha de Fidel, inicio de um exílio que durou dez anos.
Como Deus escreve certo por linhas tortas – provérbio de autor desconhecido– entre saudade, tristeza, saudade, tristeza demais dei de cara com Raulito numa daquelas noites em que Brasil e Cuba miscigenavam –se em notas musicais atenuando a minha nostalgia.
Entre encontro e desencontros, Maria de los Angeles a linda cubana, irmã de Silvio Rodriguez casa com Raul e parte num missão diplomática para a ONU.
Anistia Geral e irrestrita,volta ao Brasil, adaptação, novo cotidiano, muitos encontros intercalados de uma enorme saudade. Que fazer ir a Cuba? Trazer os amigos para o cheirinho da terra. Mais bem o ideal – as duas coisas -. Rosy e Augusto, Vicente Feliu, Sara Gonzalez, Nicola, Pablito – o Milanez num vaivém de passeos pelo Malecon a noitadas regadas a trova ora no Recreio dos Bandeirantes depois por muito tempo no It anhanga. A cada viagem Rosy insistia na nina preciosa que amava loucamente o Brasil. Era um vaivém de dicionários, revistas, livros didáticos, romances, músicas + musicas. Decidi pelo melhor porque não trazer a chica tão enamorada pelo meu Pais.
- Difícil – argumentou Rose. Su madre no deja que ella viaje sola. És una adolescente ingênua, chica todavia.
Vamos convencer su mama. Fale com ela. Eu cuido. Juro que cuido. Que tal?
Impossível.
Sabes que? Voy traer las dos. Así ningún problema. Mando la invitación e ya.
Ojala- la antológica canción- invadía el jardín, el corazón, los sueños, los amores, todos cantaban a la misma voz cuando sonó el teléfono.
Quien? Dígame.
Miriam es Silvio.
Ola compañero! Que alegría!
No oigo bien están cantando – dije.
Ya veo. María llega mañana con Mariela mi sobrina. Cuídala como se fuera tu hija.
Mariela es la hija de María de los Ángeles e Raulito. Ama Brasil quase como eu. É minha filha cubana. Cresceu, se apaixonou por Patrício um tremendo trovador chileno e hoje trás para baixo e para cima seu bebe protegido numa placenta musical crescendo feliz ao som de Dajvan, Chico, Tom. Toquinho e Vinicius.
Se alguém achar que qualquer semelhança é mera coincidência não tem razão. Vaya casualidad – diria Nelson Dominguez . Somos uma linda e feliz família cubana/brasileira.