3.8.12

Coordenadora da redes das redes em defesa da humanidade ganha Premio Nacional de Cultura


Queridos amigos y amigas,

Reciban un fraternal abrazo en la ocasión de compartir con ustedes el honor y la alegría de haber sido galardonada con el Premio Nacional de Cultura, en el área de Humanidades. Premio bianual que otorga el Estado venezolano a quienes con sus aportes y trayectoria de vida han contribuido a enriquecer el patrimonio cultural de la nación. Puesto que ustedes me han acompañado a lo largo de esa trayectoria recibo este premio en nombre de todos y todas, y lo tomo como reconocimiento colectivo. Con todo mi afecto,

Carmen Bohórquez

Coordenadora da redes das redes em defesa da humanidade ganha Premio Nacional de Cultura


Queridos amigos y amigas,

Reciban un fraternal abrazo en la ocasión de compartir con ustedes el honor y la alegría de haber sido galardonada con el Premio Nacional de Cultura, en el área de Humanidades. Premio bianual que otorga el Estado venezolano a quienes con sus aportes y trayectoria de vida han contribuido a enriquecer el patrimonio cultural de la nación. Puesto que ustedes me han acompañado a lo largo de esa trayectoria recibo este premio en nombre de todos y todas, y lo tomo como reconocimiento colectivo. Con todo mi afecto,

Carmen Bohórquez

31.7.12

MUITO PRAZER GABRIEL GARCIA MARQUEZ




As pedrinhas de gelo  desenvolviam uma coreografia singular mergulhadas no Campari  brincado de pique -  esconde,  enquanto a lua esplendidamente discreta  ganhava espaço entre os últimos momentos do Por de sol, e a noite manhosa chegando pé ante pé morta de medo de ofuscar o descanso do rei e os segredos trocados entre  Wladimir Padilla e a brasileira livre de ser virgem, livre de prejuízos em mais um anoitecer Havaneiro.  Ninguém ousaria  profanar a conquista, nem o sim pelo não, nem a espera de tantos meses entre a gélida Moscou e o calor agoniante de mais um julho caribenho. 
O susto topou forte contra  o instante mágico, vindo da campainha intrusa ,interrompendo  o beijo  cuidadosamente orquestrado.
Esperaaa!  Vou atender. Perai! –
Tropeçando abri a porta sem graça, sem vontade de fazê-lo tão somente impelida pelo  dever . Portas devem ser abertas ao toque das campainhas. Inoportunas ou não.
Muito Prazer – Gabriel Garcia Marques –  Gabo, para os amigos.   Entrou sorrindo sabedor de que quebrara  o encanto. A lua já saiu?
- Caramba! Havia esquecido totalmente de que sairia a lua. Minutos  a mais e a  varanda estaria repleta de Manolitos, a mexicana querida, a jornalista costa-ricense,  Pablito Milanez possivelmente.
Maneira a la Macondo de entrar na minha vida, de fazer parte dela por muitos e muitos anos. Gabo é a tradução do  espirito latino americano por excelência, isento de preconceitos, alegre, colorido, misterioso, gigante, exuberante, precioso para sempre.
Nossas similitudes  se identificam na busca de uma identidade, nascida do sentimento gerado pela colonização, na diferenciação  da cor, na rejeição. Relacionam-se na grandeza de um continente semi -  virgem, a espera do homem novo, da unidade latino americana.
Num parelelo de imagens surgia Angustura, pequena e linda vila centenária, gloriosa no auge do cultivo do café, encravada num pedaço mágico de Minas.  Palco do meu primeiro toque de mãos despertando-me no roçar dos dedos o primeiro amor; das travessuras, da descoberta das desigualdades e mentiras, lugar das corridas a cavalo, dos banhos de rio, das rosas verdes, do racismo tirando vidas. Aldeia das preces para os pracinhas na Itália, lutando contra o nazismo; dos mendigos chegando no quintal em busca de um prato de comida, despertando-me para as injustiças sociais.
Cruzava no caminho com Macondo ¨Dos velhos coronéis da era de ouro do café. Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las se precisava apontar com o dedo. Todos os anos, pelo mês de março, uma ¨familia de ciganos esfarrapados plantava a sua tenda perto da aldeia e, com um grande alvoroço de apitos e tambores, dava a conhecer os novos inventos.¨
Entre uísques, camparis ,mojistos descobrimos nossos Macondos. Entre risos e muita cumplicidade vivemos muitos guerras, invasões, bloqueios, censuras, ganhamos e perdemos companheiros. Alguns nos porões da ditadura brasileira, outros ameaçados pelo tráfico de drogas que se instalaram em terras Colombianas.  Entre ciclos lunares desenhamos  a América  idealizada.
Claro que  naquele dia específico  esquecemos da lua, que seguiu seu curso girando e girando em torno do planeta terra.
Anos mais tarde, Gabo imortalizou ¨Cem anos de Solidão e sua Macondo. Angustura, numa timidez histórica segue caminho.  Nossa  América galga degraus para a unidade. Gabo devaneia outras estórias seja  em prosa ou verso. Eu num arrojado ímpeto de saudade caminhei nesta manhã pelo passado.

MUITO PRAZER GABRIEL GARCIA MARQUEZ




As pedrinhas de gelo  desenvolviam uma coreografia singular mergulhadas no Campari  brincado de pique -  esconde,  enquanto a lua esplendidamente discreta  ganhava espaço entre os últimos momentos do Por de sol, e a noite manhosa chegando pé ante pé morta de medo de ofuscar o descanso do rei e os segredos trocados entre  Wladimir Padilla e a brasileira livre de ser virgem, livre de prejuízos em mais um anoitecer Havaneiro.  Ninguém ousaria  profanar a conquista, nem o sim pelo não, nem a espera de tantos meses entre a gélida Moscou e o calor agoniante de mais um julho caribenho. 
O susto topou forte contra  o instante mágico, vindo da campainha intrusa ,interrompendo  o beijo  cuidadosamente orquestrado.
Esperaaa!  Vou atender. Perai! –
Tropeçando abri a porta sem graça, sem vontade de fazê-lo tão somente impelida pelo  dever . Portas devem ser abertas ao toque das campainhas. Inoportunas ou não.
Muito Prazer – Gabriel Garcia Marques –  Gabo, para os amigos.   Entrou sorrindo sabedor de que quebrara  o encanto. A lua já saiu?
- Caramba! Havia esquecido totalmente de que sairia a lua. Minutos  a mais e a  varanda estaria repleta de Manolitos, a mexicana querida, a jornalista costa-ricense,  Pablito Milanez possivelmente.
Maneira a la Macondo de entrar na minha vida, de fazer parte dela por muitos e muitos anos. Gabo é a tradução do  espirito latino americano por excelência, isento de preconceitos, alegre, colorido, misterioso, gigante, exuberante, precioso para sempre.
Nossas similitudes  se identificam na busca de uma identidade, nascida do sentimento gerado pela colonização, na diferenciação  da cor, na rejeição. Relacionam-se na grandeza de um continente semi -  virgem, a espera do homem novo, da unidade latino americana.
Num parelelo de imagens surgia Angustura, pequena e linda vila centenária, gloriosa no auge do cultivo do café, encravada num pedaço mágico de Minas.  Palco do meu primeiro toque de mãos despertando-me no roçar dos dedos o primeiro amor; das travessuras, da descoberta das desigualdades e mentiras, lugar das corridas a cavalo, dos banhos de rio, das rosas verdes, do racismo tirando vidas. Aldeia das preces para os pracinhas na Itália, lutando contra o nazismo; dos mendigos chegando no quintal em busca de um prato de comida, despertando-me para as injustiças sociais.
Cruzava no caminho com Macondo ¨Dos velhos coronéis da era de ouro do café. Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las se precisava apontar com o dedo. Todos os anos, pelo mês de março, uma ¨familia de ciganos esfarrapados plantava a sua tenda perto da aldeia e, com um grande alvoroço de apitos e tambores, dava a conhecer os novos inventos.¨
Entre uísques, camparis ,mojistos descobrimos nossos Macondos. Entre risos e muita cumplicidade vivemos muitos guerras, invasões, bloqueios, censuras, ganhamos e perdemos companheiros. Alguns nos porões da ditadura brasileira, outros ameaçados pelo tráfico de drogas que se instalaram em terras Colombianas.  Entre ciclos lunares desenhamos  a América  idealizada.
Claro que  naquele dia específico  esquecemos da lua, que seguiu seu curso girando e girando em torno do planeta terra.
Anos mais tarde, Gabo imortalizou ¨Cem anos de Solidão e sua Macondo. Angustura, numa timidez histórica segue caminho.  Nossa  América galga degraus para a unidade. Gabo devaneia outras estórias seja  em prosa ou verso. Eu num arrojado ímpeto de saudade caminhei nesta manhã pelo passado.

30.7.12

MUITO PRAZER - 2o. capitulo


MUITO PRAZER!  2º capitulo

Así mismo recuerdo cuánto nos ayudó em aquella declaración de identidade com Brasil que hicimos em 1971,cantando la música de sus trovadores...} me recuerda Silvio Rodriguez em la portada de uno de mis libros. Ali, em uma das salas do ICAIC – Instituto cubano de cinema – entre guitarras, risos, acordes, fonética difícil entre o B e o V – complicado falar você argumentava Pablito repetida centenas de vezes, Entrelaçada entre canções de Chico, Gil, Vinicius conheci Viglietti. Anos difíceis. Anos de guerra, torturas, llantos, muchos sueños, parcas alegrias. Mas, aquele  grupo de jovens saídos das trincheiras da Revolução Cubana formavam um elo de amor através de suas canções unindo o mundo. Atada a Sol maior, Lá menor , misturada nos acordes 3\4 passaram 40 anos. Jamais nos perdemos, nem nos sonhos, nem na guerra, muito menos na solidariedade e união. Poucos ficaram para trás. Alguns viraram saudade – como Nicola – o amor maior de todos os amores, outros se deixaram seduzir pelo falso brilhante.
Daniel Viglietti fazia parte deste exército. O compositor uruguaio militante,  colocou a luta popular nos seus versos, musicalizou fazendo-a ressoar por toda América Latina. Preso é extraditado depois de uma campanha pela sua libertação desde o exterior encabeçada por Jean Paul Sastre, Francois Mitterrand, Julio Cortázar, e nosso arquiteto Oscar Niemeyer.
Faz pouco nos encontramos na mesma Habana guerreira, explodindo em sonoros cantares, onde velhas trovas, Nova trova – já entrada nos 60 - dividem palcos, violões, versos, harmonias, rimas com os novos meninos num eterno renovar de mudanças para um mundo de luta chegar a tão ansiada paz para a humanidade.
Do show pela libertação dos 5 heróis cubanos presos nos EUA, a peña de Euardo Sosa, Viglietti , quase um guri cantando e cantando num desalambrar de esperança. O coração bate forte, as lágrimas deslizam pelas faces numa onda alegre- triste batendo fundo para lembrar ao homem de hoje, que para chegar é preciso muita garra, muita segurança. Eles continuam meus meninos, eu sua Miriam – a brasileira.
Daniel Viglietti cantou aqui na Escola Nacional de Música no ato em Homenagem aos alunos do Colégio Pedro II, convidado por mim e Emilio Mira y Lopez.  Bem no coração do Rio de Janeiro, 40 anos depois de nosso 1º. Encontro. Feliz é definição pequena para tanta alegria. Sei que estarei a seu lado reafirmando que sim podemos. Que hoje, somos muitos e mais conscientes. Que seguimos com o mesmo encanto e canto espalhando versos de amor versos e comprometidos com a as novas formas de lutas e de conquistas.
Sempre será benvindo companheiro!

MUITO PRAZER - 2o. capitulo


MUITO PRAZER!  2º capitulo

Así mismo recuerdo cuánto nos ayudó em aquella declaración de identidade com Brasil que hicimos em 1971,cantando la música de sus trovadores...} me recuerda Silvio Rodriguez em la portada de uno de mis libros. Ali, em uma das salas do ICAIC – Instituto cubano de cinema – entre guitarras, risos, acordes, fonética difícil entre o B e o V – complicado falar você argumentava Pablito repetida centenas de vezes, Entrelaçada entre canções de Chico, Gil, Vinicius conheci Viglietti. Anos difíceis. Anos de guerra, torturas, llantos, muchos sueños, parcas alegrias. Mas, aquele  grupo de jovens saídos das trincheiras da Revolução Cubana formavam um elo de amor através de suas canções unindo o mundo. Atada a Sol maior, Lá menor , misturada nos acordes 3\4 passaram 40 anos. Jamais nos perdemos, nem nos sonhos, nem na guerra, muito menos na solidariedade e união. Poucos ficaram para trás. Alguns viraram saudade – como Nicola – o amor maior de todos os amores, outros se deixaram seduzir pelo falso brilhante.
Daniel Viglietti fazia parte deste exército. O compositor uruguaio militante,  colocou a luta popular nos seus versos, musicalizou fazendo-a ressoar por toda América Latina. Preso é extraditado depois de uma campanha pela sua libertação desde o exterior encabeçada por Jean Paul Sastre, Francois Mitterrand, Julio Cortázar, e nosso arquiteto Oscar Niemeyer.
Faz pouco nos encontramos na mesma Habana guerreira, explodindo em sonoros cantares, onde velhas trovas, Nova trova – já entrada nos 60 - dividem palcos, violões, versos, harmonias, rimas com os novos meninos num eterno renovar de mudanças para um mundo de luta chegar a tão ansiada paz para a humanidade.
Do show pela libertação dos 5 heróis cubanos presos nos EUA, a peña de Euardo Sosa, Viglietti , quase um guri cantando e cantando num desalambrar de esperança. O coração bate forte, as lágrimas deslizam pelas faces numa onda alegre- triste batendo fundo para lembrar ao homem de hoje, que para chegar é preciso muita garra, muita segurança. Eles continuam meus meninos, eu sua Miriam – a brasileira.
Daniel Viglietti cantou aqui na Escola Nacional de Música no ato em Homenagem aos alunos do Colégio Pedro II, convidado por mim e Emilio Mira y Lopez.  Bem no coração do Rio de Janeiro, 40 anos depois de nosso 1º. Encontro. Feliz é definição pequena para tanta alegria. Sei que estarei a seu lado reafirmando que sim podemos. Que hoje, somos muitos e mais conscientes. Que seguimos com o mesmo encanto e canto espalhando versos de amor versos e comprometidos com a as novas formas de lutas e de conquistas.
Sempre será benvindo companheiro!

29.7.12

MUITO PRAZER!


Verde oliva, verde petróleo, verde limão capim da estrada, verde cor de esperanças, verde eternamente verde. Entre o verde exuberante da Mata Atlântica recortada pelas águas barrentas que dividem a cidade de Minas do Estado do Rio Janeiro, Além Paraíba aldeia dos índios Puris, dos tropeiros  vindo da corte atraídos pelos minerais preciosos despontou com sua Igrejinha, sua ferrovia e suas escolas – elementos indispensáveis para crescer e multiplicar. A religião, o poder e o conhecimento. Como Macondo repete as mesmas e infindáveis estórias dentro da história. Rodeada de estrelas, longe do cheiro do mar, escrevi meu primeiro poema, esquecido, deixado de lado em algum rincão do passado usurpado da mãos na sala de aula, onde a ordem era apenas ouvir ou responder se perguntado. Numa rara noite de saída, permanentemente proibidas pude ir a um baile. Puro luxo para quem vivia na biblioteca mergulhada entre Balzac, Tolstoi, Machado de Assis, uma que outra Iracema, recanto preferido e amado separando-me das paredes cheirando a terços, rezas e procissões. A juventude é sábia busca, remexe, vasculha, encontra e reencontra. Corria solto pelos corredores a beleza de um certo rapaz cobiçado em sonhos e versos pelas jovens quase professorinhas. Decidimos fazer uma aposta. Bobagem de meninas. Justificativa prefeita para quem não lograsse tocar o coração do galã. Arrisquei a minha - se até as 12:00, como na estória da cinderela, ele não dançar comigo saio do páreo sem mais delongas. Sei perder. Mil boleros intercalados entre sambinhas, Nat King Cole estraçalhando corações, Cauby Peixoto embaralhando paixões quando minutos antes das doze badaladas lindo como um deus grego, chegou tímido num gesto de aprovação tomou-me pela cintura cautelosamente, abraçou junto ao seu corpo até que a madrugada anunciou sua chegada. Felicidade só permitida aos privilegiados pelo cupido que vez por outra flecha um que outro coração desprevenido. Costumo dizer que os amores verdadeiros são eternos, imperecíveis. Assim foi com Marco Antonio – minha segunda paixão de mocinha prenha da de esperanças. Das noites na praça, das horas de papo inacabáveis ao Parque Guinle  nas Laranjeiras tendo como cúmplice maior o verde das árvores vivi um grande amor. Urgia esquecer estes momentos, tirar de lado esta estória, o país precisava do meu compromisso. Embarquei no dever, deixei de lado o grande amor e fui á luta. Sem explicações, sem desculpas. A caixa de mensagens estava lotada. Chegava de viagem.
- Porque você não responde?
- Por onde anda você?
- Que você? – olhei assombrada.
Tantas vezes lembrado em noitadas onde corria solto o passado. Tantas vezes remoendo os neurônios em busca do verso sufocado. Tantas vezes buscado nas estrelas acima da linha do equador. Juanita –velha amiga – quase centenária quando dizia ter meu coração gavetinhas onde cada paixão foi guardada a sete chaves e escapulia nas tardes de saudade imensa de um pais tão verde, que sufoca as lágrimas.
Hoje,  nas noites, quando depois do trabalho diário, do stress do transito, dos problemas do cotidiano desligo o computador , feliz entre as músicas linkadas de lá para cá misturando um portunhol proposital - uma forma de colocá-lo na minha estória, depois de longos papos quase sempre não consigo minimizar a saudade.

MUITO PRAZER!


Verde oliva, verde petróleo, verde limão capim da estrada, verde cor de esperanças, verde eternamente verde. Entre o verde exuberante da Mata Atlântica recortada pelas águas barrentas que dividem a cidade de Minas do Estado do Rio Janeiro, Além Paraíba aldeia dos índios Puris, dos tropeiros  vindo da corte atraídos pelos minerais preciosos despontou com sua Igrejinha, sua ferrovia e suas escolas – elementos indispensáveis para crescer e multiplicar. A religião, o poder e o conhecimento. Como Macondo repete as mesmas e infindáveis estórias dentro da história. Rodeada de estrelas, longe do cheiro do mar, escrevi meu primeiro poema, esquecido, deixado de lado em algum rincão do passado usurpado da mãos na sala de aula, onde a ordem era apenas ouvir ou responder se perguntado. Numa rara noite de saída, permanentemente proibidas pude ir a um baile. Puro luxo para quem vivia na biblioteca mergulhada entre Balzac, Tolstoi, Machado de Assis, uma que outra Iracema, recanto preferido e amado separando-me das paredes cheirando a terços, rezas e procissões. A juventude é sábia busca, remexe, vasculha, encontra e reencontra. Corria solto pelos corredores a beleza de um certo rapaz cobiçado em sonhos e versos pelas jovens quase professorinhas. Decidimos fazer uma aposta. Bobagem de meninas. Justificativa prefeita para quem não lograsse tocar o coração do galã. Arrisquei a minha - se até as 12:00, como na estória da cinderela, ele não dançar comigo saio do páreo sem mais delongas. Sei perder. Mil boleros intercalados entre sambinhas, Nat King Cole estraçalhando corações, Cauby Peixoto embaralhando paixões quando minutos antes das doze badaladas lindo como um deus grego, chegou tímido num gesto de aprovação tomou-me pela cintura cautelosamente, abraçou junto ao seu corpo até que a madrugada anunciou sua chegada. Felicidade só permitida aos privilegiados pelo cupido que vez por outra flecha um que outro coração desprevenido. Costumo dizer que os amores verdadeiros são eternos, imperecíveis. Assim foi com Marco Antonio – minha segunda paixão de mocinha prenha da de esperanças. Das noites na praça, das horas de papo inacabáveis ao Parque Guinle  nas Laranjeiras tendo como cúmplice maior o verde das árvores vivi um grande amor. Urgia esquecer estes momentos, tirar de lado esta estória, o país precisava do meu compromisso. Embarquei no dever, deixei de lado o grande amor e fui á luta. Sem explicações, sem desculpas. A caixa de mensagens estava lotada. Chegava de viagem.
- Porque você não responde?
- Por onde anda você?
- Que você? – olhei assombrada.
Tantas vezes lembrado em noitadas onde corria solto o passado. Tantas vezes remoendo os neurônios em busca do verso sufocado. Tantas vezes buscado nas estrelas acima da linha do equador. Juanita –velha amiga – quase centenária quando dizia ter meu coração gavetinhas onde cada paixão foi guardada a sete chaves e escapulia nas tardes de saudade imensa de um pais tão verde, que sufoca as lágrimas.
Hoje,  nas noites, quando depois do trabalho diário, do stress do transito, dos problemas do cotidiano desligo o computador , feliz entre as músicas linkadas de lá para cá misturando um portunhol proposital - uma forma de colocá-lo na minha estória, depois de longos papos quase sempre não consigo minimizar a saudade.