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Mostrando postagens de Maio 22, 2011

Mãe do Coração

Esta criança esteve escondida no teu pensamento, noite após noite, por anos a fio, guardada na tua retina sem que nunca a tivesses visto. Esta criança bendita, que foi escolhida por Deus e por ti, para compartilhar de tua vida, nunca sofrerá, ficará triste ou chorará por desamor ou abandono, pois existe alguém especial, um anjo, que o destino colocou em seu caminho para lhe suprir as carências, lhe amar, dar carinho. Ela foi abençoada. Não foi gerada por ti, não foi esperada por nove meses, não veio de dentro de tuas entranhas, mas veio de algo muito maior: um amor enorme que tinhas para compartilhar com ela e com o mundo. Não o adotaste simplesmente; ele é teu filho – filho do imenso carinho que tens para dar, da tua capacidade de doação, da abnegação, do desejo sofrido e ao mesmo tempo esperançoso que tiveste de um dia cuidar e de ouvir alguém te chamando de “mãe”. Será filho de noites em claro, de preocupações, de alegrias, de dias de chuva, de dias de sol. Será filho de tristezas,

Mãe do Coração

Esta criança esteve escondida no teu pensamento, noite após noite, por anos a fio, guardada na tua retina sem que nunca a tivesses visto. Esta criança bendita, que foi escolhida por Deus e por ti, para compartilhar de tua vida, nunca sofrerá, ficará triste ou chorará por desamor ou abandono, pois existe alguém especial, um anjo, que o destino colocou em seu caminho para lhe suprir as carências, lhe amar, dar carinho. Ela foi abençoada. Não foi gerada por ti, não foi esperada por nove meses, não veio de dentro de tuas entranhas, mas veio de algo muito maior: um amor enorme que tinhas para compartilhar com ela e com o mundo. Não o adotaste simplesmente; ele é teu filho – filho do imenso carinho que tens para dar, da tua capacidade de doação, da abnegação, do desejo sofrido e ao mesmo tempo esperançoso que tiveste de um dia cuidar e de ouvir alguém te chamando de “mãe”. Será filho de noites em claro, de preocupações, de alegrias, de dias de chuva, de dias de so

Anos de chumbo - No olho do Furacão

Como num poema de Miguel Hernandez, estávamos no olho do furacão, no meio do mundo e no meio de março de 1969. A mala cheia de armas e munições e dois garotos correndo, pulando, na casa que nos servia de esconderijo na serra. O Marcello com dois anos, o Eduardo no berço com os olhos mais azuis que já se viram foragidos da repressão eu invadira nossa casa (linda) cheia de livros quadros e sonhos. A repressão além de prender e massacrar os suspeitos, costuma roubar tudo de valor, que encontrasse pela frente. A pretexto de apreender material subversivo e prova de crime, levavam tudo. Uma verdadeira loja departamento de terror . O resto virava lixo: fotos, documentos , discos importados,o quadro não terminado no cavalete. Assim nossas lembranças ficaram apenas nas lembranças. O tempo, com a miopia transforma as imagens em pinturas impressionistas. Ali, os contornos perdem a nitidez, as cores aparecem como manchas, as formas são pouco definidas, mas, quando o quadro é observado na

Anos de chumbo - No olho do Furacão

Como num poema de Miguel Hernandez, estávamos no olho do furacão, no meio do mundo e no meio de março de 1969. A mala cheia de armas e munições e dois garotos correndo, pulando, na casa que nos servia de esconderijo na serra. O Marcello com dois anos, o Eduardo no berço com os olhos mais azuis que já se viram foragidos da repressão eu invadira nossa casa (linda) cheia de livros quadros e sonhos. A repressão além de prender e massacrar os suspeitos, costuma roubar tudo de valor, que encontrasse pela frente. A pretexto de apreender material subversivo e prova de crime, levavam tudo. Uma verdadeira loja departamento de terror . O resto virava lixo: fotos, documentos , discos importados,o quadro não terminado no cavalete. Assim nossas lembranças ficaram apenas nas lembranças. O tempo, com a miopia transforma as imagens em pinturas impressionistas. Ali, os contornos perdem a nitidez, as cores aparecem como manchas, as formas são pouco definidas, mas, quando o quadro é observado na

À Ana de Hollanda - Ministra da Cultura do Brasil

A rede de intelectuais em defesa da humanidade – capítulo brasileiro - apóia incondicionalmente a atuação da Ministra Ana de Hollanda – Ministra da Cultura do Brasil. 1964, marcou o fim de um projeto cultural e político libertador que aglutinava a diversidade cultural brasileira. Seguiram-se prisões, torturas, assassinatos, censura sufocando a história. Resistir ao aparato repressivo tornou-se a única saída para que grupos da cultura nacional de todos os segmentos dessem a partida na criação de focos de resistência. Na clandestinidade, foi se forjando o caldo de cultura indispensável para os primeiros passos de retomada dos quadros democráticos no país. Vinte anos depois o Brasil deu início à conquista da liberdade sucateada com o marco fundamental representado pela Campanha das Diretas Já. A classe artística como acontece em toda a história da humanidade alavancou as primeiras mudanças, reconstruindo a cultura amordaçada sob a forma empreitada de natureza complexa e quase que sem de

À Ana de Hollanda - Ministra da Cultura do Brasil

A rede de intelectuais em defesa da humanidade – capítulo brasileiro - apóia incondicionalmente a atuação da Ministra Ana de Hollanda – Ministra da Cultura do Brasil. 1964, marcou o fim de um projeto cultural e político libertador que aglutinava a diversidade cultural brasileira. Seguiram-se prisões, torturas, assassinatos, censura sufocando a história. Resistir ao aparato repressivo tornou-se a única saída para que grupos da cultura nacional de todos os segmentos dessem a partida na criação de focos de resistência. Na clandestinidade, foi se forjando o caldo de cultura indispensável para os primeiros passos de retomada dos quadros democráticos no país. Vinte anos depois o Brasil deu início à conquista da liberdade sucateada com o marco fundamental representado pela Campanha das Diretas Já. A classe artística como acontece em toda a história da humanidade alavancou as primeiras mudanças, reconstruindo a cultura amordaçada sob a forma empreitada de natureza complexa e quase que sem

Demasiado - Silvio Rodriguez

Texto Silvio Rodríguez Domínguez. Fotos Kaloian Demasiado tiempo, demasiada sed para conformarnos con un breve sorbo la única vez. Demasiada sombra, demasiado sol para encadenarnos a una sola forma y una sola voz. Demasiadas bocas, demasiada piel para enamorarnos de un mal gigantesco y un ínfimo bien. Demasiado espacio, demasiado azul para que lo inmenso quepa en un destello solo de la luz. Demasiado polvo, demasiada sal para que la vida no busque consuelo en el más allá. Demasiado nunca, demasiado no para tantas almas, para tantos sueños, para tanto amor

Demasiado - Silvio Rodriguez

Texto Silvio Rodríguez Domínguez. Fotos Kaloian Demasiado tiempo, demasiada sed para conformarnos con un breve sorbo la única vez. Demasiada sombra, demasiado sol para encadenarnos a una sola forma y una sola voz. Demasiadas bocas, demasiada piel para enamorarnos de un mal gigantesco y un ínfimo bien. Demasiado espacio, demasiado azul para que lo inmenso quepa en un destello solo de la luz. Demasiado polvo, demasiada sal para que la vida no busque consuelo en el más allá. Demasiado nunca, demasiado no para tantas almas, para tantos sueños, para tanto amor