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Showing posts from January 8, 2012

Um trovador em plena luz: Silvio Rodriguez

Existem diversos tipos de artistas: os famosos descompromissados; os talentosos desconhecidos; os produtos da moda, que desaparecem tão rápido quanto surgem; os lutadores incansáveis...o cubano Silvio Rodriguez pertence a esta seleta estirpe, tendo se transformado, para além de sua condição de artista, num registro vivo de nosso tempo.
Silvio Rodriguez nasceu em 1946 na cidade de San Antonio de los Baños, no interior da província de La Habana, em Cuba. Provindo de uma família de escassos recursos, passou a infância em idas e vindas entre sua cidade natal e a capital de seu país. Aos doze anos, aquela idade onde começamos a fundamentar nosso olhar sobre o mundo, triunfa a Revolução Cubana. Antes de ser o narrador musical dessa epopéia chamada Revolução, Silvio ajudou a construí-la de distintas formas: com treze anos fez parte das brigadas juvenis de alfabetização percorrendo os interiores de seu país. Tempos depois, serviu o exército. Foi nessa época que começaram a surgir suas primeira…

O mito da necessidade

Além Paraíba

Os anos passam, ás águas do verão em desequilíbrio pela violentação ambiental desnudam a verdadeira face de nossas administrações municipais e estaduais. Décadas pós décadas a mesma história. Salários do erário público esbanjados em obras faraônicas – todo Faraó tem sua pirâmide – super faturadas dividas com anterioridade para o bolso de cada envolvido no projeto seja ele qual for, e lá vem miséria descendo a ladeira, transbordando rios, alagando praças antes nunca maculadas, vidas boiando a mercê da corrente. E que?
A correr porque a chuva vem trazendo a felicidade conquistada a duras penas. Como àquele fogão comprado no recém-natal passado, a TV esperada, quem sabe o colchão para as crianças que cresceram muito nestes últimos 365 dias. Qualquer coisa de insólito pode advir diante de nosso olhar complacente reclamando alto, mas humildemente carregando alimentos para os desabrigados, catando roupas, sapatos que não usaremos no próxi…

Domingueira poetica

A DISTÂNCIA
- Thales Paradela

- Falta muito?
- Tá chegando...
- Ainda?
- Tá chegando...
- De novo?
- Sempre!

Pela janela do trem, o tempo passa de revés. Relatividade tem de ter sido deduzida num trem de beira do Rio Doce. Muito saculejado na cabeça dá nisso.

- Ainda tá longe?
- Um dia chega...
- É antes ou depois daquele morro?
- É antes do que eu morro...

Trem segue pra lá, rio desce pra cá, tempo corre pronde? E o guardado do tempo, escorre? Cai de lado? Em que margem do rio tenho que estar pra pescar lembrança? Mas se eu trocar de margem, fisgo lembrança de amanhã? O Doce é marron, chuva já foi mas com barro foi cotejando no beiral da encosta, chegou marron no leito. Chuva torna a ser, clara.
Onde fica o bairro recolhido?

- De novo esta curva?
- É outra...
- Como que você sabe se vira igual?
- Não sei, mas a torneira é outra?
- Parece que não sai do lugar, sai?
- Só pra poder voltar...

Dormente de trem parece dormido, mas trilho eu asseguro que é sujeito direito, reto. Leva sempre. Mas trilho tem fin…