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E, a culpa segue sendo do Fidel.


Ando morta de saudade.  Saudade dói, não tem tradução, é difícil de explicar. Não é lembrança, nem nostalgia, nem vontade de.  A Saudade é feminina. Forte, decidida, composta , complexa, machuca, alegra, transporta, marca encontros, estabelece, flui como riacho em busca do mar. Sofre e, é sofrida.
Busquei motivos, demarquei fronteiras, rasguei lembranças, quebrei a nostalgia em cacos pequenos bem pequenos, viajei caminhos desconhecidos, passeei pela memória e fui desaguar no Malecón Havanero.
Era madrugada alta. Silvio ( Rodriguez), tenho alguns  Silvios - Tendler, Batistela, Da Rin  que amo de paixão. Caminhamos uns passos, sentamos,  permanecemos olhando o mar. 
Algo me disse  de extraterrestres, que chegam através de todas as partes do universo e vem escutar a conversa dos homens. Trocamos quase murmurando algumas palavras. Não queríamos ser ouvidos. Eu estava possuída pela saudade . Qualquer gesto torto podia quebrar a magia daquele momento. Silvio sempre esteve presente na minha vida em momentos muito definitivos – nas parcas alegrias e nas grandes tristezas  ou vice- versa.  Somos grandes amigos. Conhecemos o tamanho das nossas luas. Ele na Orsa maior. Eu a do Cruzeiro do Sul. Ele com sua poesia cantada, explicável mente  linda, eu com meu  jeito brasileiro de ser – claro que ligo ainda esta semana, melhor passo pela sua casa -.e, por ai vai.
Viajamos quilômetros a cada discreta onda enamorada beijando as pedras que bordeiam a orla. Ia e vinha ao Brasil, tartareava Caetano, viajávamos ¨olhos nos olhos¨ buarqueanamente. Entre um silencio e outro a Bahia surgia esplendorosa. Depois do Rio a sua paixão era a Bahia. A minha o Rio, depois o Rio... muito depois a Bahia.
Ausentávamos, nos perdíamos no mar, num vaivém suave de emoções caladas.
Amanhecia quando deixamos a mureta. Possuídos  pela energia que emana das águas necessitávamos dormir  ou  mais provavelmente Silvio comporia uma canção, eu escreveria um poema que ficaria guardado e se perderia no tempo. Fiquei em Miramar, ele regressou a Vedado.
Passeando por dentro  deparei  com  a causa – trovadores, poetas, e o cheiro daquele  mar fazem uma falta danada na minha vida.

Isto é, sinto falta do Malecón, daquele pedacinho  onde começa os sonhos quase em frente ao Prado. 

Comentários

Anônimo disse…
Boa noite, Mirilia!
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Abraço,
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