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Reencontros 1a. parte



Verde oliva, verde petróleo, verde limão capim da estrada, verde cor de esperanças, verde eternamente verde. Entre o verde exuberante da Mata Atlântica recortada pelas águas barrentas que dividem a cidade de Minas do Estado do Rio Janeiro, Além Paraíba aldeia dos índios Puris, dos tropeiros vindo da corte atraídos pelos minerais preciosos despontou com sua Igrejinha, sua ferrovia e suas escolas – elementos indispensáveis para crescer e multiplicar. A religião, o poder e o conhecimento. Como Macondo repete as mesmas e infindáveis estórias dentro da história. Rodeada de estrelas, longe do cheiro do mar, escrevi meu primeiro poema, esquecido, deixado de lado em algum rincão do passado usurpado da mãos na sala de aula, onde a ordem era apenas ouvir ou responder se perguntado. Numa rara noite de saída, permanentemente proibidas pude ir a um baile. Puro luxo para quem vivia na biblioteca mergulhada entre Balzac, Tolstoi, Machado de Assis, uma que outra Iracema, recanto preferido e amado separando-me das paredes cheirando a terços, rezas e procissões. A juventude é sábia busca, remexe, vasculha, encontra e reencontra.Corria solto pelos corredores a beleza de um certo rapaz cobiçado em sonhos e versos pelas jovens quase professorinhas. Decidimos fazer uma aposta. Bobagem de meninas. Justificativa prefeita para quem não lograsse tocar o coração do galã. Arrisquei a minha - se até as 12:00, como na estória da cinderela, ele não dançar comigo saio do páreo sem mais delongas. Sei perder. Mil boleros intercalados entre sambinhas, Nat King Cole estraçalhando corações, Cauby Peixoto embaralhando paixões quando minutos antes das doze badaladas lindo como um deus grego, chegou tímido num gesto de aprovação tomou-me pela cintura cautelosamente, abraçou junto ao seu corpo até que a madrugada anunciou sua chegada. Felicidade só permitida aos privilegiados pelo cupido que vez por outra flecha um que outro coração desprevenido.Costumo dizer que os amores verdadeiros são eternos, imperecíveis. Assim foi com Marco Antonio – minha segunda paixão de mocinha prenha da de esperanças. Das noites na praça, das horas de papo inacabáveis ao Parque Guinle nas Laranjeiras tendo como cúmplice maior o verde das árvores vivi um grande amor. Urgia esquecer estes momentos, tirar de lado esta estória, o país precisava do meu compromisso. Embarquei no dever, deixei de lado o grande amor e fui á luta. Sem explicações, sem desculpas. A caixa de mensagens estava lotada. Chegava de viagem.
- Porque você não responde?
- Por onde anda você?
- Que você? – olhei assombrada.
Tantas vezes lembrado em noitadas onde corria solto o passado. Tantas vezes remoendo os neurônios em busca do verso sufocado. Tantas vezes buscado nas estrelas acima da linha do equador. Hei Juanita – minha velha amiga – quase centenária quando dizia ter meu coração gavetinhas onde cada paixão foi guardada a sete chaves e escapulia nas tardes de saudade imensa de um pais tão verde que sufoca as lágrimas. Nas noites, quando cansados do trabalho diário, do stress do transito, dos problemas do cotidiano desligo o computador , feliz entre as músicas linkadas de lá para cá misturando um portunhol proposital - uma forma de colocá-lo na minha estória, depois de longos papos quase sempre não consigo minimizar a saudade.

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A um Estranho Estranho que passa! você não sabe com quanta saudade eu lhe olho,
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Você cresceu comigo, foi um menino comigo, ou uma menina comigo,
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Você me deu o prazer de seus olhos, rosto, carne, enquanto passamos – você tomou de minha barba, peito, mãos, em retorno,
Eu não devo falar com você – devo pensar em você quando sentar-me sozinho, ou acordar sozinho à noite,
Eu devo esperar – não duvido que lhe reencontrarei,
Eu devo garantir que não irei lhe perder.