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Reencontros - Segunda Parte

Não é fácil regressar de uma longa viagem sem que tenhamos quebrado as cores que nos atava aquele verde, aquele azul. Não é fácil tentar encontrar no olhar aquele sentimento que o tempo insistiu em apagar. Não é fácil.
Assim foi nosso encontro uma busca sem voz, sem sorriso, sem olhos nos olhos, sem toque nas mãos, sem aquele beijo sem graça, aquele abraço apertado – que bom que você voltou -.
Virtual. Pela rede nossas lembranças rolaram soltas, link’s de músicas, alguns boleros, discussões sem sentido entre Cazuza, Melodia – que me deu um trabalho imenso quando eu era superintendente dos Projetos Especiais da Funarj do Teatro João Caetano. Dirigia quase todos os espetáculos, porque Albino Pinheiro, o querido Albino chegava já quase começado o show. Um vai e vem de mensagens, levando para lá e cá todos os meus sonhos.
Descobrimos parte de nossa juventude, dos primeiros encontros a despedida brusca cruel porque a revolução era mais importante. Parti sem deixar rastro. Doeu dos dois lados.
Descobrimos o primeiro beijo, os estudos, as viagens pelas estadas sinuosas do Estado. Descobrimos que nos queremos muito e assim será passem os anos, embora adaptar-se ao regresso é muito mais difícil do que imaginamos.
Mas, hoje é carnaval. A Unidos da Vila Isabel vai desfilar linda, as quatro da manhã. Lá estarei eu dirigindo e filmando a primeira Web Série de uma Escola de samba. Entre tecnologias, cores e uma imensa saudade, volto segunda ao meu mundo real. O das novas mídias ,da cultura, das discussões e diálogos ao caminho dos 256 que escolhi percorrer.

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SOU FELIZ, SOU MUITO FELIZ - OBRIGADA EDUARDO GUIMARÃES

Edu, sempre amou Fernando Pessoa.  Seu livro de cabeceira preferido. Nunca dorme sem um pequeno verso. Amo você garoto!.


O guardador de rebanhos Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.
Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.
Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
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Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.
Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenh…

Do capim gordura a brachiaria II

Cheguei uma hora antes. Coisas de engenharia de transito. Sai na hora viável atrasa, se antes corre o risco de adiantar tanto como uma hora de antecedência, por exemplo. Assim foi. Evaldo sai da sala e depara comigo adiantadissssssssima. Um abraço feliz, perguntas sobre a família, esposa. O corriqueiro agradável.
- Aqui de volta. Faz um ano de toda aquela loucura. Hora de novos exames - brinquei
- Certo – argumentou tranqüilo. O calor está insuportável. Não chove, a plantação padece. O capim fica todo calcinado, o gado sofre.
- No interior também a seca está castigando dessa maneira?
- E, como? Sorte minha ter um caseiro boa gente, preocupado cuidadoso, que aprendeu a importância da terra, da preservação da água, do cuidado com o solo. Da necessidade de alternar o capim para fertilizar a terra. Errei algumas vezes, mas apostei na solidariedade.Mulher e sete filhos.
Tomei como meta três situações: preservar um pedaço da mata atlântica, dar educação aos sete filhos do casal, todos hoje…

A UM ESTRANHO - WALT WHITMAN

A um Estranho Estranho que passa! você não sabe com quanta saudade eu lhe olho,
Você deve ser aquele a quem procuro, ou aquela a quem procuro, (isso me vem, como em um sonho,)
Vivi com certeza uma vida alegre com você em algum lugar,
Tudo é relembrado neste relance, fluído, afeiçoado, casto, maduro,
Você cresceu comigo, foi um menino comigo, ou uma menina comigo,
Eu comi com você e dormi com você – seu corpo se tornou não apenas seu, nem deixou o meu corpo somente meu,
Você me deu o prazer de seus olhos, rosto, carne, enquanto passamos – você tomou de minha barba, peito, mãos, em retorno,
Eu não devo falar com você – devo pensar em você quando sentar-me sozinho, ou acordar sozinho à noite,
Eu devo esperar – não duvido que lhe reencontrarei,
Eu devo garantir que não irei lhe perder.