7.5.11

Aurora Feliu - As maes brasileiras



Bueno, hoy que no estoy cerca de mi madre, para..bueno decirle cuánto la quiero y lo importante que es y además para su cumpleaños, pues quiero regalarle un trocito de una canción, un clásico de Silvio (Rodríguez) y un trocito que dice mucho de lo que siento, no? Hoy. Además quiero dedicarla a todas las madres, especialmente a aquellas que no tienen cerca a sus hijos hoy.. y en particular a Marilia, una enorme...grandísima mujer, a través de la cual llega el mensaje a las madres brasileras.
(...) No quisiera un fracaso
en el sabio delito
que es recordar..
y en el inevitable defecto
que es la nostalgia de cosas
pequeñas y tontas
como, en el tumulto,
pisarte los pies
y reír, y reír y reír..
madrugadas sin ir a dormir..
es distinto sin tí,
MUY distinto sin tí" (...)

Aurora Feliu - As maes brasileiras



Bueno, hoy que no estoy cerca de mi madre, para..bueno decirle cuánto la quiero y lo importante que es y además para su cumpleaños, pues quiero regalarle un trocito de una canción, un clásico de Silvio (Rodríguez) y un trocito que dice mucho de lo que siento, no? Hoy. Además quiero dedicarla a todas las madres, especialmente a aquellas que no tienen cerca a sus hijos hoy.. y en particular a Marilia, una enorme...grandísima mujer, a través de la cual llega el mensaje a las madres brasileras.
(...) No quisiera un fracaso
en el sabio delito
que es recordar..
y en el inevitable defecto
que es la nostalgia de cosas
pequeñas y tontas
como, en el tumulto,
pisarte los pies
y reír, y reír y reír..
madrugadas sin ir a dormir..
es distinto sin tí,
MUY distinto sin tí" (...)

Àquelas mães heroínas sofredoras de um tempo cruel de espera


Despertei enjoada, uma pequena cólica estranha. Levanto devagar, bem devagarzinho porque algo me molestava e semi dormida não entendia bem o quê? Vou ao banho, me deparo com gotas de sangue.
Fausto, fausto – alguma coisa errada comigo. Estou sangrando.
Em instantes, estava no carro em direção a maternidade. Marinheiro, de primeira viagem, suele ser assim.
Nada. Rebate falso alega o doutor. Dilatação zero.Volte quando as contrações aumentarem. A cada meia hora está de bom tamanho.
Que loucura é essa? Quando as dores chegarem de meia em meia hora volto? Ouvi bem? Mas por onde vai nascer este bebe? Ë grande demais. Sou pequenina. De passo só tenho está barriga.
Por onde anda Dr. Botelho? Seguro faria cesariana. Foi sua ultima observação dias atrás. Não acreditava pelas dimensões do bebe que pudesse acontecer um parto normal.
Já liguei. Está no sitio, volta no domingo à noite, e hoje é sábado.
Não posso acreditar.
Pois assim é. Hoje, casa meu irmão e vamos à boda. Esta criança não via nascer agora. Não viu o que disse o plantonista?
Vai ao cabeleireiro. Arruma linda. Põe aquele vestido charmossissimo. Vamos festejar.
As 17:00h regressei à maternidade. Cheia de dor dei entrada no pré parto. Entre dores e dores, suaves fortes, despertei motivada pela voz que dizia: abre os olhos, já passou. Meio dormida balbuciei: é Marcello? Caí no sono até a manha seguinte.
Menos de um ano depois chegou Eduardo, sete meses, mil cuidados, sustos e sustos.
Sucederam magicamente as primeiras palavras, mãee! Pombo! Febres, resfriados, as famosas dores abdominais que dilaceram nossos sentimentos. Primeiros passos, o murito - mãozinhas ansiosas de felicidade – primeiro dia de aula, primeiros beijos na namoradinha da escola, primeiras desilusões, primeiras vitorias. Numa espiral, em todos os recantos do mundo milhares de mães repetem a mesma história. Doces, suaves, duras, ternas, exigentes, dedicadas, relapsas como sejam – portais de entrada de milhões de seres humanos que percorrem o mesmo caminham em busca da realização cada qual de seus sonhos.
Mas, este dia tem para mim um caráter muito especial. Super especial. Dedico àquelas mães que na suprema lucidez do amor esperam a chegada a qualquer momento de seus filhos desaparecidos. Daqueles jovens que na luta pela liberdade foram massacrados pelas ditaduras que assolaram nosso continente, ceifando vidas, torturando, destruindo famílias, seqüestrando crianças. Àquelas mães heroínas sofredoras de um tempo cruel de espera. A elas o nosso amor, o nosso respeito, a nossa solidariedade. Por elas, nós mães de ontem e de hoje, filhos e netos devemos priorizar a luta da busca de seus filhos desaparecidos. Só assim estaremos cumprindo nossa missão de geradoras do homem novo, aliviando o coração de quantas esperam um toque diferente em suas portas, para dar continuidade as suas vidas.

Àquelas mães heroínas sofredoras de um tempo cruel de espera


Despertei enjoada, uma pequena cólica estranha. Levanto devagar, bem devagarzinho porque algo me molestava e semi dormida não entendia bem o quê? Vou ao banho, me deparo com gotas de sangue.
Fausto, fausto – alguma coisa errada comigo. Estou sangrando.
Em instantes, estava no carro em direção a maternidade. Marinheiro, de primeira viagem, suele ser assim.
Nada. Rebate falso alega o doutor. Dilatação zero.Volte quando as contrações aumentarem. A cada meia hora está de bom tamanho.
Que loucura é essa? Quando as dores chegarem de meia em meia hora volto? Ouvi bem? Mas por onde vai nascer este bebe? Ë grande demais. Sou pequenina. De passo só tenho está barriga.
Por onde anda Dr. Botelho? Seguro faria cesariana. Foi sua ultima observação dias atrás. Não acreditava pelas dimensões do bebe que pudesse acontecer um parto normal.
Já liguei. Está no sitio, volta no domingo à noite, e hoje é sábado.
Não posso acreditar.
Pois assim é. Hoje, casa meu irmão e vamos à boda. Esta criança não via nascer agora. Não viu o que disse o plantonista?
Vai ao cabeleireiro. Arruma linda. Põe aquele vestido charmossissimo. Vamos festejar.
As 17:00h regressei à maternidade. Cheia de dor dei entrada no pré parto. Entre dores e dores, suaves fortes, despertei motivada pela voz que dizia: abre os olhos, já passou. Meio dormida balbuciei: é Marcello? Caí no sono até a manha seguinte.
Menos de um ano depois chegou Eduardo, sete meses, mil cuidados, sustos e sustos.
Sucederam magicamente as primeiras palavras, mãee! Pombo! Febres, resfriados, as famosas dores abdominais que dilaceram nossos sentimentos. Primeiros passos, o murito - mãozinhas ansiosas de felicidade – primeiro dia de aula, primeiros beijos na namoradinha da escola, primeiras desilusões, primeiras vitorias. Numa espiral, em todos os recantos do mundo milhares de mães repetem a mesma história. Doces, suaves, duras, ternas, exigentes, dedicadas, relapsas como sejam – portais de entrada de milhões de seres humanos que percorrem o mesmo caminham em busca da realização cada qual de seus sonhos.
Mas, este dia tem para mim um caráter muito especial. Super especial. Dedico àquelas mães que na suprema lucidez do amor esperam a chegada a qualquer momento de seus filhos desaparecidos. Daqueles jovens que na luta pela liberdade foram massacrados pelas ditaduras que assolaram nosso continente, ceifando vidas, torturando, destruindo famílias, seqüestrando crianças. Àquelas mães heroínas sofredoras de um tempo cruel de espera. A elas o nosso amor, o nosso respeito, a nossa solidariedade. Por elas, nós mães de ontem e de hoje, filhos e netos devemos priorizar a luta da busca de seus filhos desaparecidos. Só assim estaremos cumprindo nossa missão de geradoras do homem novo, aliviando o coração de quantas esperam um toque diferente em suas portas, para dar continuidade as suas vidas.

Silvio Rodriguez e Marilia guimarães

 
Em noite, de trovadores, recuerdos e um tantão de felicidades.
Posted by Picasa

Silvio Rodriguez e Marilia guimarães

 
Em noite, de trovadores, recuerdos e um tantão de felicidades.
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Te Amaré - Silvio Rodriguez



Não sei se por Vinicius de Moraes, se pelo sol que assoma pela janela timido prenunciando um dia lindo, se pela saudade.. O certo é que desde as obras primas de Silvio Rodriguez aos sambas deliciosos de Martinho da Vila, ou um poema de Mário Quintana, passando por Waldo Leyva - os sábados são especiais. Muito especiais.

Te Amaré - Silvio Rodriguez



Não sei se por Vinicius de Moraes, se pelo sol que assoma pela janela timido prenunciando um dia lindo, se pela saudade.. O certo é que desde as obras primas de Silvio Rodriguez aos sambas deliciosos de Martinho da Vila, ou um poema de Mário Quintana, passando por Waldo Leyva - os sábados são especiais. Muito especiais.

3.5.11

Quatro tanquistas e um perro + uma infancia feliz



Marcello e Eduardo meus dois amores insuperavéis disfrutaram de uma infancia pra lá de feliz. Entre os estudos, o mar,o convivio com meus poetas trovadores, Luly - a menina olhando pela janela até que um dia acercou-se, Allu, Mari hijos de Lurdes que cantava lindo, lindo todas as canções de Maysa.Entre a comedia silente - classicos de Charles Chaplin, Toqui um desenho animado espetacular, Elpidio Valdez, tudo isso misturado na voz de Jair Rodriguez cantando o "Bloco de sujos"e,.... muchas cosas más.
Tudo isso tem nome - saudade. Edu encontrou no google videos os 4 tanquistas eum perro,mandou para mi.Nicholas meu primeiro neto, se apaixonou por Silvio e ouvia sem parar "Mujeres e Cassiopéia" aos dois anos de idade. Vitória tem outras precuopações como levar meu 1o. livro distribuir na escola, explicar aos 6 anos a seus coleguinhas o que era ditadura e que sua vó tinha lutado pelo povo brasileiro. Adorava dizer isso a todo mundo. Agora, Pablo. Desde muy chiquito en las tardes, chegada do trabalho levava ele comigo e ouviamos Vinagrito um gatico charmoso como ele só. Hoje, Vinagrito é hit na internet.
Um pouco de lembranças não faz mal a ninguém. Principalmente, se ela é doce, suave e iluminada como estrelas.

Quatro tanquistas e um perro + uma infancia feliz



Marcello e Eduardo meus dois amores insuperavéis disfrutaram de uma infancia pra lá de feliz. Entre os estudos, o mar,o convivio com meus poetas trovadores, Luly - a menina olhando pela janela até que um dia acercou-se, Allu, Mari hijos de Lurdes que cantava lindo, lindo todas as canções de Maysa.Entre a comedia silente - classicos de Charles Chaplin, Toqui um desenho animado espetacular, Elpidio Valdez, tudo isso misturado na voz de Jair Rodriguez cantando o "Bloco de sujos"e,.... muchas cosas más.
Tudo isso tem nome - saudade. Edu encontrou no google videos os 4 tanquistas eum perro,mandou para mi.Nicholas meu primeiro neto, se apaixonou por Silvio e ouvia sem parar "Mujeres e Cassiopéia" aos dois anos de idade. Vitória tem outras precuopações como levar meu 1o. livro distribuir na escola, explicar aos 6 anos a seus coleguinhas o que era ditadura e que sua vó tinha lutado pelo povo brasileiro. Adorava dizer isso a todo mundo. Agora, Pablo. Desde muy chiquito en las tardes, chegada do trabalho levava ele comigo e ouviamos Vinagrito um gatico charmoso como ele só. Hoje, Vinagrito é hit na internet.
Um pouco de lembranças não faz mal a ninguém. Principalmente, se ela é doce, suave e iluminada como estrelas.

1.5.11

1o. de Maio em Cuba 2011

1o. de Maio em Cuba 2011

José Ibrahim- um herói do movimento operário

José Ibrahim- um herói do movimento operário

1968 marcou o século XX como o das revoltas - estudantis operárias, feministas, dos negros, ambientalistas, homossexuais. Todos os protestos sociais e mobilização política que agitaram o mundo como a dos estudantes na França, a Primavera de Praga, o massacre dos estudantes na México, a guerra no Vietnã se completam com as movimentos operários e estudantil no nosso pais. Vivíamos os anos de chumbo, o Brasil também precisava de sua primavera.
Em Contagem, região industrial da grande Belo Horizonte, Minas Gerais, abriu caminho as grandes greves metalúrgicas coroada pela de 1968 em Osasco - região industrial de São Paulo onde brasileiros de fibra e consciência, miscigenam suas origens e raízes abalizadas pela particularidade brasileira, em plena luta contra a ditadura militar.
Jose Ibrahim, 21 anos, eleito para a direção Sindical, jovem, líder por excelência, simplesmente parou todas as fábricas de Osasco, na época pólo central dos movimentos de oposição sindical mais à esquerda, desde as eleições de 1967.
José Ibrahim liderou e desencadeou a greve. O resultado, entretanto, foi diferente de Contagem.
Ibrahim passou a militar na clandestinidade e posteriormente outros grevistas aderiram organizações de esquerda que participaram da luta armada contra a ditadura militar.
“Fazendo um balanço autocrítico posterior do movimento, disse José Ibrahim, o principal líder da greve argumentou: partíamos da análise, de que “o Governo estava em crise, ele não tinha saída, o problema era aguçar o conflito, transformar a crise política em crise militar. Dai vinha nossa concepção insurrecional de greve. O objetivo era levar a massa, através de uma radicalização crescente, a um conflito com as forças de repressão. Foi essa concepção que nos guiou quando, em julho de 1968, decidimos desencadear a greve”
“Antecipando-se à greve geral que se indicava para outubro de 1968, época do dissídio coletivo dos metalúrgicos, a direção sindical de Osasco visualizava a possibilidade de estendê-la para outras regiões do país. Iniciada no dia 16 de julho, com a ocupação operária da Cobrasma, a greve atingiu as empresas Barreto Keller, Braseixos, Granada, Lonaflex e Brown Boveri. No dia seguinte o Ministério do Trabalho declarou a ilegalidade da greve e determinou a intervenção no Sindicato e as forças militares passaram a controlar todas as saídas da cidade de Osasco, além do cerco e a invasão das fabricas paralisadas”
“Mas em Osasco a repressão foi bem mais violenta do que em Contagem. Os militares estavam mais preparados para a situação”, afirma Buonicore. Na tarde do dia 16, representantes do Ministério do Trabalho intervieram na Cobrasma e naquela noite os operários foram expulsos da fábrica pela Força Pública, seguindo ordem do governador Abreu Sodré. Cerca de 60 trabalhadores foram presos e levados para o Departamento de Ordem Política e Social, o temido Dops, na capital paulista, onde a tortura dos presos fazia parte da rotina. Além disso, a sede do sindicato foi tomada pelos militares, as outras indústrias onde os operários haviam aderido à greve foram cercadas pelos soldados e as entradas e saídas de Osasco foram bloqueadas”.

Preparada para o confronto, a ditadura militar reprimiu duramente a paralisação, uma vez que estava decidida a não fazer mais nenhuma concessão. O movimento grevista foi duramente reprimido e os dirigentes sindicais mais combativos exilaram-se do país.
A diretoria do sindicato foi cassada. Acordos impediram a demissão da maioria dos trabalhadores que participaram da mobilização. Alguns dirigentes sindicais que não foram presos tiveram de recorrer ao exílio ou à clandestinidade. Ibrahim foi demitido sem direitos, passou a viver como clandestino e entrou para a luta armada, na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Preso pouco tempo depois, torturado, foi mais tarde um dos 15 presos políticos trocados pelo embaixador estadunidense Charles Burke Elbrick em setembro de 1969. Banido viveu dez anos no exílio. Fundador do PT em 1980, rompeu com o partido em 1986 e se filiou ao PV.
Hoje, minha homenagem ao José Ibrahim se estende a todos os operários do mundo que com sua garra, coerência, vão mudando os caminhos da nossa história.

José Ibrahim- um herói do movimento operário

José Ibrahim- um herói do movimento operário

1968 marcou o século XX como o das revoltas - estudantis operárias, feministas, dos negros, ambientalistas, homossexuais. Todos os protestos sociais e mobilização política que agitaram o mundo como a dos estudantes na França, a Primavera de Praga, o massacre dos estudantes na México, a guerra no Vietnã se completam com as movimentos operários e estudantil no nosso pais. Vivíamos os anos de chumbo, o Brasil também precisava de sua primavera.
Em Contagem, região industrial da grande Belo Horizonte, Minas Gerais, abriu caminho as grandes greves metalúrgicas coroada pela de 1968 em Osasco - região industrial de São Paulo onde brasileiros de fibra e consciência, miscigenam suas origens e raízes abalizadas pela particularidade brasileira, em plena luta contra a ditadura militar.
Jose Ibrahim, 21 anos, eleito para a direção Sindical, jovem, líder por excelência, simplesmente parou todas as fábricas de Osasco, na época pólo central dos movimentos de oposição sindical mais à esquerda, desde as eleições de 1967.
José Ibrahim liderou e desencadeou a greve. O resultado, entretanto, foi diferente de Contagem.
Ibrahim passou a militar na clandestinidade e posteriormente outros grevistas aderiram organizações de esquerda que participaram da luta armada contra a ditadura militar.
“Fazendo um balanço autocrítico posterior do movimento, disse José Ibrahim, o principal líder da greve argumentou: partíamos da análise, de que “o Governo estava em crise, ele não tinha saída, o problema era aguçar o conflito, transformar a crise política em crise militar. Dai vinha nossa concepção insurrecional de greve. O objetivo era levar a massa, através de uma radicalização crescente, a um conflito com as forças de repressão. Foi essa concepção que nos guiou quando, em julho de 1968, decidimos desencadear a greve”
“Antecipando-se à greve geral que se indicava para outubro de 1968, época do dissídio coletivo dos metalúrgicos, a direção sindical de Osasco visualizava a possibilidade de estendê-la para outras regiões do país. Iniciada no dia 16 de julho, com a ocupação operária da Cobrasma, a greve atingiu as empresas Barreto Keller, Braseixos, Granada, Lonaflex e Brown Boveri. No dia seguinte o Ministério do Trabalho declarou a ilegalidade da greve e determinou a intervenção no Sindicato e as forças militares passaram a controlar todas as saídas da cidade de Osasco, além do cerco e a invasão das fabricas paralisadas”
“Mas em Osasco a repressão foi bem mais violenta do que em Contagem. Os militares estavam mais preparados para a situação”, afirma Buonicore. Na tarde do dia 16, representantes do Ministério do Trabalho intervieram na Cobrasma e naquela noite os operários foram expulsos da fábrica pela Força Pública, seguindo ordem do governador Abreu Sodré. Cerca de 60 trabalhadores foram presos e levados para o Departamento de Ordem Política e Social, o temido Dops, na capital paulista, onde a tortura dos presos fazia parte da rotina. Além disso, a sede do sindicato foi tomada pelos militares, as outras indústrias onde os operários haviam aderido à greve foram cercadas pelos soldados e as entradas e saídas de Osasco foram bloqueadas”.

Preparada para o confronto, a ditadura militar reprimiu duramente a paralisação, uma vez que estava decidida a não fazer mais nenhuma concessão. O movimento grevista foi duramente reprimido e os dirigentes sindicais mais combativos exilaram-se do país.
A diretoria do sindicato foi cassada. Acordos impediram a demissão da maioria dos trabalhadores que participaram da mobilização. Alguns dirigentes sindicais que não foram presos tiveram de recorrer ao exílio ou à clandestinidade. Ibrahim foi demitido sem direitos, passou a viver como clandestino e entrou para a luta armada, na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Preso pouco tempo depois, torturado, foi mais tarde um dos 15 presos políticos trocados pelo embaixador estadunidense Charles Burke Elbrick em setembro de 1969. Banido viveu dez anos no exílio. Fundador do PT em 1980, rompeu com o partido em 1986 e se filiou ao PV.
Hoje, minha homenagem ao José Ibrahim se estende a todos os operários do mundo que com sua garra, coerência, vão mudando os caminhos da nossa história.